Esse blog foi criado com todo carinho para você, com intuito de levá-la (o) a enxergar a vida com mais leveza e sutileza! No decorrer de nossas vidas nos deparamos com situações que fogem do nosso controle e o primeiro sentimento que toma conta dos nossos corações é o desespero. Quero mostrar para vocês através de minha experiência que é possível ser feliz mesmo quando tudo diz o contrário.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Minha experiência com o Cateter (port a cath)

Na minha segunda aplicação da quimioterapia vermelha tive um pequeno extravasamento, o que me deixou quase dois meses com o braço dolorido e sem poder esticá-lo. Isso é bem sério. Minha médica disse que tem casos que a região necrosa e é necessário colocar enxerto para reparar o estrago. As drogas são muito tóxicas, por isso na hora da aplicação existe todo um cuidado por parte dos enfermeiros. Mas, graças a Deus no meu caso só ficou dorido mesmo. Consegui recuperar a região com bastante chá de camomila e hirudoide.

Depois deste episódio, descobri que tenho as veias muito sensíveis, que começavam a dar problemas já nas medicações pré "quimio". Chegou num ponto que passava todo o processo de aplicação com a veia doendo e morrendo de medo de extravasar a medicação novamente. Fora que, depois de sete aplicações, minhas veias já estavam enrijecidas, o que é normal para quem faz quimioterapia. E era um sufoco para os enfermeiros acharem um acesso. Teve dias que precisei furar o braço mais de cinco vezes para achar uma veia boa.

Então, junto com o médico, decidimos que era  melhor para mim colocar o cateter.  Nem sei como, mas aguentei oito aplicações, foi uma milagre. Confesso que a ideia não me agradava muito mas a quimioterapia judia muito das nossas veias e chega num ponto que a razão fala mais alto que medo.

De toda essa historia fica uma lição que pode ajudar quem vai começar o tratamento: converse com seu médico logo no início da quimioterapia e decida junto com ele se vale a pena ou não colocar o cateter. Apesar do processo de implante ser bem tranquilo, a burocracia do seu plano pode atrasar esse trâmite e acabar prejudicando seu tratamento. No meu caso foi rápido, mas já ouvi falar de planos médicos que demoram semanas para autorizar.

Mas, voltando a minha experiência com o cateter, no meio do tratamento tive que colocá-lo. No meu caso a cirurgia de implante do cateter foi um procedimento rápido. Internei pela manhã e a noite já estava de alta. O procedimento cirúrgico dura em média uns trinta minutos.O período de recuperação é de mais ou menos uns 15 dias (isso no meu caso). No dia seguinte já estava usando o bichinho, com ele a seção de quimio realmente fica bem mais tranquilo. De fato ele só vem a ajudar o tratamento, não tem risco de extravasar e nem precisa ficar te furando toda para achar uma veia.

Tenho que ressaltar que existem alguns cuidados que não podem ser deixados de lado: uma vez no mês é necessário fazer a limpeza do cateter para não correr risco de cogular o sangue. E o período para ficar com esse amigo do peito é, em média, de dois anos, isso porque o câncer pode voltar e você ter que passar por outro procedimento cirúrgico.


Depois de falar tão bem, não posso deixar de contar o lado chato da história, pois, no meu caso, o cateter me trouxe problemas. Mas, que fique registrado que é muito raro ter intercorrências. No geral, todas as pessoas com quem eu conversei se deram muito bem com o cateter e o mesmo só trouxe benefícios para o tratamento. Na minha terceira aplicação usando o meu amigo do peito comecei a ter febre, corri para o pronto socorro, fiz todos os exames e tudo normal. Na quarta aplicação, tive febre de novo. Internei por uma semana e fiz uma bateria de exames para descobri a origem da febre (febre para quem faz quimioterapia é muito perigoso, sinal de que algo no seu corpo não esta bem). Por fim, concluíram que meu cateter estava infeccionado e tive que retirá-lo.

E assim foi minha experiência com o cateter, um namoro de uma mês. Quando estava me acostumando com o bichinho tive que me despedir dele. De qualquer forma acho que não teria conseguido sem ele. De lembrança fiquei com duas cicatrizes: uma no pescoço e outra no peito. Mas, as cicatrizes servem  para nos fazer lembrar que a luta foi grande e hoje só fazem parte de uma marca que coroará nossa vitória! 

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