Esse blog foi criado com todo carinho para você, com intuito de levá-la (o) a enxergar a vida com mais leveza e sutileza! No decorrer de nossas vidas nos deparamos com situações que fogem do nosso controle e o primeiro sentimento que toma conta dos nossos corações é o desespero. Quero mostrar para vocês através de minha experiência que é possível ser feliz mesmo quando tudo diz o contrário.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Lenços e Laços de Amizade







Histórias de superação a gente encontra todos dias, mas só quem passa por uma grande batalha sabe o valor de cada lágrima. Quando chega o momento de raspar os cabelos por causa dos efeitos da quimioterapia, começa um processo de dor e perda. Mas também nasce um sentimento de descoberta, de nova fase! E agora? Os lenços e os chapéus serão nossos companheiros por um breve período. Há também quem prefira assumir sua carequinha. O importante é se sentir bem e seguir nessa caminhada com o coração alegre e com a certeza da sua vitória. 

Essa linda na foto é a Luciana. Imagine uma pessoa alto astral e forte emocionalmente. Eu a conheci durante minhas sessões de quimioterapia. A gente sentava uma de frente para outra e fomos confidentes de uma mesma realidade. A Lucina ou Lu, como eu à chamo carinhosamente, foi diagnosticada com câncer de mama e estava em tratamento quimioterápico. Ela sempre estava acompanhada por um parente e dava pra ver como tinha amor envolvido naquela família. Acredito que esse apoio foi fundamental para Lu. Uma coisa que sempre me chamou a atenção foi sua alegria e o fato dela ser uma pessoa muito vaidosa. Seus lenços eram sempre muito estilosos. Eu adora os bordados com flores. A cada sessão ela usava um mais lindo que o outro. Eu ficava curiosa sobre o próximo modelo. Talvez ela nem soubesse, mas a sua companhia na sala de aplicação me ajudou muito a superar todo aquele momento que eu estava vivendo. O tempo passou e olha como ela está hoje. Os cabelos cresceram e ela continua linda como no primeiro dia que a vi. Uma guerreira, uma leoa, uma mãe amorosa e amiga que vou guardar para sempre no meu coração. Parabéns por sua auto estima! 


Vou começar da falar da Janaína com um texto que ela publicou na sua rede social. "Se a vida exige muito de você, sinta-se feliz. Pois, Deus só exige daqueles que tem a capacidade e a coragem de vencer". É exatamente assim que a vejo, uma pessoa corajosa e vencedora. Eu a conheci através de um grupo de amigas, que estavam em tratamento de câncer de mama. A gente compartilhava nossas histórias. E uma dava força a outra. Um dia estava olhando minhas redes sociais e de repente me deparei com a foto da Jana, mostrando sua carequinha. Uauuu que coragem! Mas o que ela descreveu no seu texto foi mais impactante para mim. Palavras da Jana: "Decidi assumir rsrs. Sensação de liberdade que não tive durante dez meses. E poder me ver livre das prisões, dos olhares indesejados e das perguntas muitas vezes sem repostas... Câncer não é opção! Todo mundo pode ter um dia. Mas passar por ele e sobreviver é um presente de aprovação de Deus".
Sua coragem motivou muita gente a assumir sua carequinha, inclusive euzinha! Ver você hoje é gratificante. Como está linda e com os cabelos maravilhosos. Parabéns por sua coragem!      


Glaucia Helena o nome já é forte por si só, mas a história dessa mulher e mãe é tão emocionante com as outras contadas aqui.
Sempre pensei como seria difícil passar pelo tratamento tendo que cuidar de uma criança pequena que depende tanto da gente. Minha amiga Glaucia passou por isso e falou um pouco como se sentiu em relação a isso:
" Minha filha tinha apenas 04 anos de idade quando descobri que estava com câncer de mama. Meu mundo desabou! Olhar para minha filha me trouxe uma garra, uma determinação incrível. Sinto que essa foi minha válvula de escape.  Ela foi a minha força pra passar por tudo isso, as sessões de quimioterapia e a cirurgia de mastectomia. Quando chegou o momento de cortar os cabelos que eram enormes, achei que ficaria trite, mas logo em seguida percebi que minha auto estima estava inabalada". 
Gente muito lindo essas histórias. Nos emocionam demais e olha que foi só um "resuminho". Vejam como os cabelos da Glaucia estão lindos e enormes novamente. Acredito que o melhor de tudo isso é perceber como somos capazes de superar grandes traumas. A Glaucia deixou o cabelos crescerem  para doá-los a uma instituição. E com isso ajudar na auto estima de outras mulheres ou crianças. Parabéns por sua generosidade!    




"Se a vida te dá limões, faça uma limonada". Eu sou a Karla Mendes e acredito que essa palavras falem um pouquinho sobre essa fase da minha vida. Aceitar o câncer de mama foi difícil, mas com o passar do tempo fui percebendo que dava pra tirar proveito de muita coisa bacana dessa situação. Resolvi fazer esse blog e falar um pouco da minha experiência.  Como isso foi libertador. Poder expressar tudo que estava sentindo em palavras.
Conheci pessoas super legais com o blog e acabamos trocando muitas experiências enriquecedoras. 
Faz sete meses que acabou as etapas do tratamento (quimioterapia, cirurgia e radioterapia). Hoje faço o acompanhamento a cada três meses. A vida está bem corrida, voltei a trabalhar, estou fazendo alguns cursos, voltei a escrever no blog e estou trabalhando num projeto social. Em breve falo mais sobre isso aqui na página.   
Sobre a fase dos lenços... Eu gostava, mas confesso que meu xodó eram os chapéus, eu amava de paixão. Achava super prático e estiloso!    

É tao lindo ver nas histórias como cada detalhe nos marcam, os lenços estilosos feitos com tanto carinho, uma carequinha assumida sem medo de ser feliz, os chapéus que te enfeitam e te traz praticidade e cabeleira no meio das costas que você perdeu e que hoje deixou crescer só pra ajudar outras pessoas. É curioso como cada uma ao seu jeito, encontrou uma maneira de ser feliz e passar pelo tratamento com mais leveza. 

Histórias que me inspiram e impactam a minha vida de alguma forma. Aprendi com tudo isso, que a gente tem sempre algo a oferecer. Vamos dar aquilo que temos de melhor: nosso amor, carinho e amizade.  

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

O que a Radioterapia?

Oi gente! Peço desculpas por deixar meu blog por tanto tempo sem escrever, mas estava muito corrido esses últimos meses. Vamos começar de onde parei ..... Próximo passo a Radioterapia!

Antes de falar como foi essa experiencia para mim, acho importante sabermos algumas coisas sobre esse procedimento. 

Mas o que e para que serve a radioterapia?

A Radioterapia é uma modalidade clínica que utiliza radiações ionizantes para combater o câncer. As doses de radiação e o tempo de aplicação são calculados de acordo com o tipo e tamanho do tumor. Isso é feito de modo que a incidência de radiação seja eficiente para destruir as células doentes e preserve as sadias. De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), aproximadamente 70% dos pacientes com diagnóstico de câncer serão submetidos à radioterapia em alguma fase de seu tratamento.
Modalidades do tratamento


A finalidade da radioterapia varia entre neoadjuvante, curativa, adjuvante e paliativa, de acordo com o quadro do paciente:
  • Neoadjuvante - Para diminuir o volume do tumor, com objetivo de facilitar a cirurgia, possibilitar a preservação de um membro, permitir uma cirurgia e menos mutiladora. Usada em tumores em reto baixo, sarcomas de partes moles e estômago.
  • Adjuvante - Quando a radioterapia é associada à quimioterapia ou a cirurgia. Aplicada em regiões na cabeça e no pescoço, do colo e corpo uterino, pulmão, esôfago,sistema nervoso central (SNC), mama, linfomas etc.
  • Curativa - Quando a radioterapia é considerada a principal arma no combate ao câncer, podendo ser associada à quimioterapia ou utilizada em casos no quais a cirurgia não é possível ou muito arriscada para o paciente. Aplicada em regiões na cabeça e no pescoço, tumores localmente avançados do colo e corpo uterino, canal anal, pulmão, esôfago, sistema nervoso central (SNC), etc.
  • Paliativa - Para melhorar a qualidade de vida do paciente oncológico, propiciando melhora da dor, redução de sangramento ou de outros sintomas.
Técnicas de Tratamento 

Esses são os tipos de radioterapias disponíveis nos principais centros de tratamento do país. Radioterapia Conformada ou Tridimensional (RT3D), Radioterapia Convencional (RT2D), Radioterapia com Modulação da Intensidade do Feixe (IMRT), Radioterapia Intraoperatória, Radiocirurgia ou Radioterapia Estereotáxica Fracionada (REF), Radiocirurgia (RCIR), Braquiterapia e Radioterapia Guiada por Imagem (IGRT).

Espero ter esclarecido um pouco sobre a radioterapia, se você quiser pesquisar mais a fundo pode procurara nos grandes centros de tratamento como INCA, AC Camargo e sites especializados no assunto. 

No próximo post vou falar como foi minha experiência com a Radioterapia.

Informações retiras do site: www.accamargo.org.br em 01/02/2016.   

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Direitos dos Pacientes Oncológicos


Oi Gente! Quero falar um pouquinho sobre os direitos que os pacientes oncológicos tem e algumas vezes desconhecem. 

Todos nós sabemos que o momento da descoberta é muito sofrido. Não conseguimos pensar em outra coisa que não seja começar logo o tratamento e ficar curada. Esse pesamento é normal e precisa ser respeitado. Afinal, cada pessoa tem seu tempo. Mas, passado o susto, é hora de começar a pensar nos seus direitos e, considerando que o caminho é longo, toda ajuda que vier será bem-vinda.

Quem passa pelo tratamento sabe o quanto pesa no orçamento todos os cuidados que o paciente oncológicos precisa ter. E não estou falando do tratamento em si (quimioterapia, cirurgia e radioterapia) que são, em tese, custeados pelos planos de saúde e SUS.

Me refiro aos cuidados paralelos ao tratamento. Durante a quimioterapia por exemplo, precisamos ter uma alimentação mais elaborada rica em frutas e verduras; termos atenção redobrada com a pele usando protetores solar com, no mínimo, fator 30 todos os dias, inclusive a noite; cuidados com a higiene bucal (enxague bocal, escova e creme dental para dentes sensíveis), medicamento para minimizar os efeitos colaterais e muitas outras coisas que vão aparecendo durante esse caminho. E tudo isso acaba ficando pesado no orçamento. Eu usava um enxague bucal para dentes sensíveis por semana que custava $57,00. Faça a conta pra seis meses... Caro não é! 

O fato é que ninguém se programa para ter um câncer, ele infelizmente aparece e bagunça toda nossa vida, inclusive financeira. Nesse momento que devemos, mais do que nunca, recorrer aos nossos direitos. Você sabia, por exemplo, que temos direito de transporte público gratuito durante todo o tratamento. Além deste, temos muitos outros direitos. Veja alguns deles na lista abaixo:
  • Sacar o saldo do FGTS e do PIS/PASEP;
  • Comprar de veículos adaptados ou especiais com descontos de impostos;
  • Receber Auxilio Doença;
  • Aposentar-se por invalidez;
  • Ser dispensa do rodízio de veículos;
  • Receber assistência permanente;
  • Ser isento do IPVA;
  • Ter andamento prioritário em processos judiciário.
A lista completa, explicando detalhadamente todos os nossos direitos, você pode ver no link abaixo do Hospital AC Camargo referência na América Latina no tratamento de câncer.


terça-feira, 7 de julho de 2015

Cabelos, vida e saúde!


Eles estão aparecendo aos poucos, dando o ar de sua graça, chegando com sutileza e devolvendo o sorriso para o rosto (não que eu não tivesse antes, mas esse motivo é especial). E de quem eu estou falando?? Ahaaa, dos meus cabelinhos. 

Antes da minha última aplicação de quimioterapia, meus cabelos começaram a chegar. Fraquinhos e devagar, mas hoje estão a todo vapor. Em contra partida meus cílios e sobrancelhas que estavam guerreiros aguentando firmes e fortes, caíram todos... fiquei com uma carinha de tartaruga. É claro que é só uma brincadeira e também só uma fase. 

Mas tudo na vida passa, inclusive a tristeza de vê-los indo embora. Chega também o momento de alegria. Tem um versículo na bíblia que mostra muito bem isso, e, de fato, é uma realidade em nossas vidas. Fala o seguinte: Eclesiastes 3,1-4 Tudo tem seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu. Tempo de chorar, e tempo de rir, tempo de prantear, e tempo de dançar.

Por mais que os momentos tristes nos tragam um desespero momentâneo, precisamos ter a convicção que ele passará, afinal, é promessa de Deus em nossas vidas e temos que nos apossar dessa certeza. Ele fala que o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem ao amanhecer.

Cada fiozinho que nasce tem que ser motivo de festa. Sempre que acordo, olho e fico deslumbrada com a rapidez que eles estão crescendo. Maior do que a sensação de ver nosso símbolo de feminilidade ganhando força, é a satisfação de ver nossa vida e saúde voltando ao normal. Nosso corpo é como uma grama que devemos regar todos os dias através de cuidados com a saúde, com a boa alimentação e principalmente com o lado espiritual.

E para que nesta fase corra tudo bem, segue algumas sugestões do blog minha vida comigo:
  • Aposte na proteína de boa qualidade (ovo, frango, peixe e carne). Este aminoácido apresenta a função estrutural, de manutenção e reparo dos tecidos.
  • Alimentos ricos em vitamina A, C, ferro e zinco. Exemplo: suco de laranja, limonada, cenoura e abóbora. 
  • Consuma cereais integrais, como aveia e arroz integral. Estes são fonte de zinco e de vitaminas do complexo B (ajuda na multiplicação das células o que favorece o crescimento e fortalecimento dos cabelos). 
  • Feijão é rico em ferro e se consumido com folhas verdes ou com alguma fruta rica em vitamina C, vai otimizar a captação do ferro e dar um “power” no cabelo.
Eu curti muito essas dicas e já estou usando no meu dia a dia, afinal nosso corpo precisa ser bem cuidado para que tudo possa fluir muito bem.

Até o próximo!

domingo, 28 de junho de 2015

Resultado do exame genético BRCA1/BRCA2



E aqui estou eu, dando pulinhos de alegria pelo meu resultado negativo do exame genético. Achei importante fazer. Até porque um resultado positivo iria ditar meus próximos passos em relação a prevenção da doença novamente. E viver com essa dúvida não iria me fazer bem. A probabilidade é de 5% apenas mas devido ao tipo de câncer triplo negativo e por ser tão jovem se fez necessário.


O exame consiste em analisar o DNA e mostrar se existe mutação genética no gene de mama e ovário (BRCA1 e BRCA2). É importante ressaltar que cada caso é um caso. Mesmo se o resultado apontar uma mutação no gene, não quer dizer que necessariamente a paciente tenha que se submeter com  a uma mastectomia. É importante fazer uma análise junto ao seu médico para decidir o que é melhor para o seu tratamento.

Segundo a Dra. Maria Isabel Achatz, Diretora do Departamento de Oncogenética do A.C.Camargo Câncer Center. "A principal síndrome hereditária relacionada ao câncer de mama é a Síndrome do Câncer de Mama e Ovário Hereditária, que está ligada aos genes BRCA1 e BRCA2. Mulheres que apresentam mutação nesses genes têm um risco de ter câncer de mama de até 80% e de ovário de até 50%."

Que bom que hoje dispomos de meios que nos ajudam a combater essa doença. Mas, em contra partida é uma pena que o SUS e também a maioria dos planos de saúde particulares não cubram a realização desse exame. Por ser uma exame caro, não é acessível a toda população brasileira. Com a incidência de câncer de mama cada vez maior, seria uma grande arma a nosso favor.

Em relação a isso tenho boas notícias. Em conversa com minha médica oncogeneticista, ela me explicou que até o final do ano de 2015, a ANS (Agência Nacional de Saúde) irá obrigar todos os planos de saúde a realizar este exame para pacientes com risco de desenvolver o câncer de mama e oviário.

Não sei bem como funciona em relação a realização do exame pelo SUS, mas prometo que vou pesquisar e em brave postarei a respeito.

Beijos e até o próximo.

Parte do  texto retirado: do site do AC Camargo em: 28/06/2015.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Você também é responsável pela sua cura

E nessa busca incessante de tentar achar respostas para as milhões de perguntas que pairavam na minha cabeça, uma em especial me deixou encucada durante muito tempo: Qual o motivo desse câncer ter se instalado no meu corpo, qual o propósito disso? Eu acredito que nada em nossa vida é por acaso, que de alguma forma essa doença mudaria algo em minha vida.

E mudou. Hoje me vejo uma pessoa melhor principalmente para mim e para os que estão ao meu redor. Convenhamos que essa doença não mexe só com a gente, envolve nossa família também. Ficamos todos com o olhar mais humanizado sobre a vida.

Por mais bizarro que pareça é nesse momento de desespero que temos a oportunidade de fazer mudanças na nossa vida. Isto é, escolher como vamos continuar daqui pra frente. A dor é grande? É sim, mas não dá para ficar chorando o tratamento todo. Precisamos fazer como diz aquele ditado popular: sacudir a podeira e dá a volta por cima.

Foi nesse momento que percebi que precisava recuperar minha auto-estima, acreditar em mim novamente. Calma aí, para tudo! Eu sou forte, sempre fui uma pessoa alegre, guerreira e batalhadora. Eu adoro minha vida e quero viver. Tenho muito sonhos e projetos a realizar. Não vou deixar esse câncer me consumir.

E foi esse pensamento positivo, essa força que me motivou a continuar lutando. A vida está aí acontecendo nesse exato momento. E eu quero aproveitar tudo que ela pode me proporcionar. Mesmo que seja algo que eu não goste, certamente aprenderei algo com isso.

Percebi que também sou responsável pela minha cura! Nossa mente e corpo precisam estar alinhados para que a medicação possa fazer o papel dela. Acreditar que vamos ficar bem é fundamental, afinal, não dá para curar quem não quer ser curado. Quando estamos bem conosco, as coisas fluem melhor. Liberamos substância boas no nosso organismos, nossa imunidade sobe e tudo isso coopera para uma ótima resposta dos quimioterápicos.

E o propósito de tudo isso? Termos lições aprendidas. Nossa vida é como um diário, todos os dias ganhamos um presente de Deus. Cabe a nós decidir o que vamos escrever nessas páginas. Os erros devem ser vivenciados, as dores suportadas e as alegrias multiplicadas. Para que, quando olharmos esse nosso "diário", tenhamos orgulho do que escrevemos.

Então quais as forças que te motivam a continuar vivendo? O que você tem escrito no seu diário? Não espere um momento de desespero para fazer as mudanças na sua vida. Pois como disse: A vida está aí acontecendo nesse exato momento.

terça-feira, 23 de junho de 2015

Depois da cirurgia e meus cuidados

Passada toda aquela tensão pré cirurgia, cá estou eu para vos contar como tenho passado. É verdade que fiz desse episódio um bicho papão, mas de fato não é tudo isso. Tudo saiu conforme planejado pelo médico e o resultado foi até melhor do que esperávamos. Por isso é importante ficar tranquila, ter pensamento positivo e confiar na equipe médica.

Como minha resposta foi completa à quimioterapia, isto é, o nódulo sumiu, foi possível fazer uma cirurgia conservadora. Quanto aos linfonodos, foi feita a biopsia na hora e eles estavam livres de células cancerígenas. Foram retirados alguns gânglios, por precaução, considerando que no início do tratamento apareceram dois alterados na ressonância. Quero deixar uma pequena ressalva: É importante logo que você descobre o câncer, verificar se existe linfonodo alterado e fazer a biopsia. Eu não fui bem orientada, se tivesse, teria feito e talvez nem precisasse retirá-los.

Pois bem hoje estou aqui para falar como tem sido minha recuperação. Já na primeira semana pós cirurgia, procurei movimentar o braço com muita cautela, conforme orientação médica. É importante não forçar muito até porque a região fica bem dolorida. Fiz exercícios com uma bolinha, mantinha o braço um pouco elevado e tentava fazer um movimento como se estivesse peteando o cabelo. Isso me ajudou muito.

Na volta ao mastologista, alguns dias depois de operada recebi o resultado do o exame anatomopatológico e ótimas notícias tudo livre de células cancerígenas. Ufa, que maravilha. Melhor resposta possível.

Agora estou fazendo fisioterapia, para ajustar o movimento do braço que fica um pouco comprometido, não tem jeito. Essa região é muito sensível. Fiz quatro sessões e as fisioterapeutas já querem me liberar, disseram que meu movimento está excelente.

Mesmo com tudo indicando uma ótima recuperação, não podemos relaxar com os cuidados. Após a cirurgia de mama com esvaziamento axilar algumas mudanças ocorrem com o nosso braço. Por isso é importante:
  • não carregar muito peso, 
  • não ficar por muito tempo no fogão, 
  • evitar banhos muito quente, 
  • não retirar as cutículas, 
  • evitar traumas na região do braço, 
  • evite colher sangue e medir pressão, 
  • usar luva de borracha quando estiver em contato com material de limpeza, 
  • usar hidratante ou óleo de amêndoa 
  • e muito cuidado com depilação, eu estou usando um creme depilatório. 

Todos esses cuidados são importantes para manter a boa circulação não desencadear o linfedema (inchaço no braço). Nosso sistema linfático fica comprometido, após a cirurgia.

É legal não ficar muito pilhada com os cuidados com o braço. Não deixe de fazer o que gosta, só tenha cuidado para não força-lo demais. Até a próxima. 

Definição do exame anatomopatológico – procedimento médico necessário para o diagnóstico de doenças ou para estabelecer o estadiamento de tumores, a partir dos estudos à macroscopia, mesoscopia e ao microscópio de amostras de tecidos e órgãos retirados de pacientes.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

O dia da cirurgia chegou

E quando enfim chegou o grande dia da cirurgia estava com as expectativas a mil, mal pude dormir de tanta ansiedade. Dias antes tinha até sonhado com este momento. Acordei às 5 da manhã pra tomar meu café, tinha que ficar de jejum por no mínimo 8 horas, pois meu procedimento estava marcado para as 16 horas. Como sou uma pessoa precavida, fiz o cálculo para 10 horas de jejum e assim ficar no meio termo.

Vesti uma roupa bem confortável, pois tinha que pensar no momento da saída de hospital. Não podia cometer os mesmos erros do procedimento de colocação do cateter, quando estava de calça jeans e salto alto. No momento da alta (que foi no mesmo dia) foi uma luta pra me arrumar. Meu braço estava dolorido e me sentia muita fraca para andar, ainda mais de salto.

Depois de pronta fiz minha oração, abracei minha mãe e a raika (minha cachorrinha) e segui para o AC Camargo. Meu horário estava agendado para as  8 da manhã porque ainda tinha que fazer o agulhamento (procedimento necessário antes da cirurgia).

Dei entrada na documentação do exame e em seguida fui para sala de espera. Estava muito nervosa. Dias antes uma amiga, que conheci na quimioterapia, me ligou para desejar boa sorte e soltou essa: "vai tranquila vai dar tudo certo, só tem um tal de agulhamento que você precisa fazer antes da cirurgia que dói demais. Eles vão colocar uma fio metálico na sua axila para guiar o médico na cirurgia, mas não fica assustada não". Hãaaaa como assim, não ficar assustada, fiquei em pânico. A partir daí fiquei mais preocupada com o tal do agulhamento do que com a cirurgia.

Voltando para o exame, na sala de espera só tinham mulheres, sentei e fiquei quietinha. Estava tão nervosa que não conseguia puxar conversa com ninguém. Mas, algo me descontraiu. Olhei para o lado e tinha uma senhora aparentando os seus 65 anos. Ela estava baixando palavras cruzadas no celular, achei aquilo fantástico. Eu lá toda nervosa e a senhora tentando relaxar com um jogo, o que é a experiência né minha gente!

Depois disso passaram-se alguns minutos e me chamaram para sala, logo percebi que o exame não era aquele monstro que havia criado. Ele consiste numa mamografia, em seguida, uma injeção na mama com uma substância que vai ajudar o médico na hora da cirurgia a localizar a região afetada. Por fim me colocam numa máquina para verificar se o líquido atingiu os locais necessários e pronto, estava liberada.

Minha internação já estava bem adiantada, só precisava assinar os papéis. Em seguida uma pessoa me levou até o apartamento, olhei para porta e vi o número 416. Tentei achar alguma ligação com o dia, mas nada me veio a mente. Sentei na cama, logo a enfermeira entrou e disse: "já ligaram do centro cirúrgico e pediram pra verificar se você está pronta". Só lembro de ter respondido: "Sério!!" Ainda bem que estava de jejum desde as 6 da manhã, pois o procedimento adiantou 2 horas.

Vesti aquele roupão de hospital, deitei na maca, olhei para o maridão e disse: "Eu te amo. Daqui a pouco estou de volta". E fui junto com o enfermeiro em direção a sala de cirurgia. Olhava para o teto e as lâmpadas iam passando como um flash e pensava: "Nossa já cheguei até aqui, que maravilha logo estarei só me recuperando".

No centro cirúrgico, estavam alguns enfermeiros, o anestesista e dois médicos. Logo perguntei cadê meu médico e disseram: "ele já está vindo. Pode ficar tranquila, somos da esquipe dele. Ufa, que bom. Não estava preparada psicologicamente para surpresas, não naquele momento.

Fiquei observando se meu médico chegava. Estava ansiosa, queria dizer algo para ele, como se adiante alguma coisa. Como ele não chegou e já estava ficando sonolenta por conta da anestesia, chamei o enfermeiro e pedi para dar um recado para o Dr.: "Peça pra ele cuidar bem de mim e não me deixar com uma cicatriz muito grande". Lembro do enfermeiro sorrir e dizer: "Pode deixar vou ....." E apaguei.  No próximo post conto como foi minha cirurgia.

sábado, 16 de maio de 2015

Vencendo o câncer um dia de cada vez

Sabe a história da cinderela, da branca de neve e todo aquele papo de felizes para sempre! Pois é minha gente, isso só existe nos filmes da disney mesmo. Na vida real não funciona bem assim, em alguns momentos nos deparados com episódios bem difíceis em nossas vidas. E nesse momento você precisa fazer uma escolha: encarar esse desafio e viver um dia de cada vez ou desistir.

Durante meu tratamento (que ainda não acabou) me deparei com histórias de pessoas que me fizeram respirar fundo para não chorar. A realidade delas me fez repensar sobre como eu estava levando minha vida e os valores que estava dando para cada coisa. De repente você sente seu problema tão pequenino perto da vida dessas pessoas.

Vou contar o episódio de duas grandes mulheres de forma resumida que cruzaram minha vida e me marcaram profundamente. A história delas me ajudaram a enfrentar essa doença e principalmente a compreender que não sou a única que enfrenta esse problema. No final do texto você vai entender do que estou falando.


Dona Isa (nome fictício)

Na minha primeira semana de exames para saber a extensão do câncer no meu corpo, fui fazer uma cintilografia óssea. Estava tão pra baixo, tão deprimida que era uma péssima companhia naquele momento. De repente senta uma senhora do meu lado e logo pensei comigo: poxa não tô boa pra bater papo. E tão docemente me perguntou: Oi tudo bem? Você está fazendo "quimio" (estava com o cabelo bem curtinho, pois havia acabado de doar a uma ONG antes de começar o tratamento). Acho que ela viu escrito na minha testa.... estou desesperada! E eu respondi: Ainda não, estou fazendo os exames antes de começar todo o processo.

Então ela começou a me contar sua história: Minha filha, descobri o câncer de mama tem mais ou menos um ano. Foi muito difícil receber aquele resultado. Mas tenho família para sustentar, não posso parar agora. Minha filha conseguiu uma vaga para eu fazer o tratamento aqui no AC Camargo. Todo ano eles fazem uma campanha em prol da luta contra o câncer de mama e distribui vagas para quem não tem condição de pagar pelo tratamento. Logo comecei minhas sessões de quimioterapia. Ficava muito debilitada nos primeiros dias, quando melhorava ia trabalhar normalmente e fazia todas as tarefas domésticas. Não tive muita ajuda, meu filho é pequeno, minha filha trabalha o dia todo e a noite vai para faculdade. Meu marido.... sofreu um acidente. Um ônibus bateu nele no caminho para o trabalho e ficou em coma por 5 dias. Quando acordou descobriu que estava tetraplégico. Eu estava fazendo quimioterapia ainda e tinha que cuidar dele, da casa e do nosso filho pequeno. Era uma loucura eu achava que não ia dar conta, tinha dias que mal conseguia ficar de pé. Cinco meses depois, outro baque, meu marido acabou falecendo. Tive que "aguentar essa barra!" Administrar a dor que eu estava sentindo naquele momento, o sofrimento dos meus filhos, a falta de dinheiro e ainda ter ânimo que aguentar as sessões de quimio. Foi muito complicado minha filha, mas eu estou aqui, um ano depois de tudo isso. Agora faço a radioterapia. Me sinto feliz por estar viva e ter a oportunidade de dispor de um ótimo tratamento. O que eu posso te dizer com tudo isso: escolha viver, você é muito jovem tem muita coisa pela  frente. Não deixe o câncer vencer essa batalha!

Em seguida ela se levantou e foi embora. E eu respirei fundo, fechei os olhos e orei agradecendo a Deus por tudo que tenho em minha vida. Essa história me deu muita força e sempre que estou triste lembro da Dona Isa.

Natália (Nome fictício) 

Um belo dia eu estava na minha poltrona no IPC (Instituto Paulista de Cancerologia), recebendo a medicação (quimioterapia) chateada porque tinha levado mais de cinco furadinhas para acharem o acesso e preocupada pela possibilidade do medicamento extravasar das minhas veias enfraquecidas. Alguns minutos depois me entra pela porta uma jovem senhora aparentando os seu 40 anos. Toda maquiada, bem vestida e muito bem humorada. Parecia conhecer bem as enfermeira que trabalhavam ali. Sentou bem na minha frente e já foi me enchendo de perguntas. Olá minha querida!  A quanto tempo está fazendo quimio e qual o seu câncer? Eu respondi todas as suas perguntas e loga ela começou a contar sobre sua vida.

Menina, a dez anos atrás fui diagnosticada com câncer de mama. Fiz todos os exames que meu médico pediu. E meu tratamento foi a  retirada do nódulo e radioterapia. Não foi necessário fazer a quimioterapia. Terminadas todas as etapas, aproveitei para viajar com minha família e esquecer todo aquele pesadelo que havia vivido nos últimos meses. Passaram-se alguns anos, um dos exames de rotina detectou uma mancha no meu pulmão. No primeiro momento não fiquei muito preocupada jamais imaginei que seria o câncer voltando. Algumas semanas depois, veio o resultado: câncer de mama com metástase nos ossos e no pulmão. Para muitas pessoas receber um diagnostico desses é uma sentença de morte, fim da linha. Mas não para mim. Sempre fui uma pessoa alegre, de bem com a vida, pra cima. Não deixaria jamais um câncer mudar o que eu sou.  Estou a QUATRO anos em tratamento. Recebo quimioterapia de 21 em 21 dias e terei que fazer isso para o resta da vida, a não ser que descubram a cura definitiva para o câncer. E sabe como me sinto? Viva! Não deixo de fazer nada, tenho uma vida absolutamente normal. Saio com minha família, viajo, faço compras, pago contas, nada mudou. A única diferença é que tenho que vir aqui tomar remédio. Essa semana é o casamento da minha filha. Saindo daqui vou comprar meu vestido, afinal tenho que está belíssima para a festa. Menina, um conselho lhe dou: não fique esperando acabar seu tratamento para voltar a sua rotina de antes. Faça tudo que tiver vontade. Não podemos deixar essa doença dominar nossas vidas. Seja feliz e agradeça a Deus por mais um dia.
  
Ufaaaa... é de perder o fôlego não é! Isso porque só falei de  duas bravas guerreiras. Conheci tantas pessoas durante meu tratamento com  histórias de vida incríveis. E de alguma forma elas me ajudaram a enfrentar essa caminhada que é cheia de espinhos, com mais sutileza e coragem.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Próximo passo: Cirurgia

Estou numa "pegada" corrida. Acabou a quimioterapia, mas aí começa uma série de exames e consultas médicas para próxima fase do tratamento, que é a cirurgia. Meu mastologista já passou uma pilha deles que são: RX de tórax, eletrocardiograma, ressonância da mama, exames de sangue, ultrassom das mamas e mamografia. E levo para ele em nosso próximo encontro. Com base nos resultados definimos a data da operação. Antes passo também no médico anestesista para checar se está tudo dentro dos conformes, preciso o aval dele para o procedimento cirúrgico.

Meu médico oncologista já me liberou, só quer me ver daqui um mês depois da operação. Ufaaa, parece pouco, mas tudo isso aí levou meu mês de abril inteirinho. Corre pra marcar, realiza exame, busca resultado e isso tudo porque quero agilizar ao máximo minha parte.

Preciso confessar que me sinto um pouco tensa em relação a esse procedimento. Já comentei com vocês num post anterior sobre o cateter. Então dá um certo frio na barriga, o tal medo do desconhecido. Mas, vou confiar em Deus e na equipe médica do AC Camargo mesmo porque só ouvi boas referências deles.

Conversei com muitas amigas que já passaram pela cirurgia e a maioria me disse que é tranquilo. Mas é necessário respeitar o tempo de recuperação e seguir todas as orientações médicas para não ter complicações. A retirada dos linfonodos (a linfadenectomia) é o que mais me assusta. Elas disseram que a fisioterapia ajudou muito. Ainda vou conversar sobre isso com meu médico para esclarecer todas as minhas dúvidas.

O medo do desconhecido sempre nos assusta, então vou tentar não ficar pensando muito nisso. Viver um dia de cada vez e aproveitar para me divertir um pouco antes da cirurgia.

"Até aqui nos ajudou o Senhor" e tenho certeza que continuará nos ajudando em cada etapa desse tratamento. Sigo nessa caminhada que tem sido engrandecedora em minha vida sempre confiante na busca pela cura.