Sabe a história da cinderela, da branca de neve e todo aquele papo de felizes para sempre! Pois é minha gente, isso só existe nos filmes da disney mesmo. Na vida real não funciona bem assim, em alguns momentos nos deparados com episódios bem difíceis em nossas vidas. E nesse momento você precisa fazer uma escolha: encarar esse desafio e viver um dia de cada vez ou desistir.
Durante meu tratamento (que ainda não acabou) me deparei com histórias de pessoas que me fizeram respirar fundo para não chorar. A realidade delas me fez repensar sobre como eu estava levando minha vida e os valores que estava dando para cada coisa. De repente você sente seu problema tão pequenino perto da vida dessas pessoas.
Vou contar o episódio de duas grandes mulheres de forma resumida que cruzaram minha vida e me marcaram profundamente. A história delas me ajudaram a enfrentar essa doença e principalmente a compreender que não sou a única que enfrenta esse problema. No final do texto você vai entender do que estou falando.
Dona Isa (nome fictício)
Na minha primeira semana de exames para saber a extensão do câncer no meu corpo, fui fazer uma cintilografia óssea. Estava tão pra baixo, tão deprimida que era uma péssima companhia naquele momento. De repente senta uma senhora do meu lado e logo pensei comigo: poxa não tô boa pra bater papo. E tão docemente me perguntou: Oi tudo bem? Você está fazendo "quimio" (estava com o cabelo bem curtinho, pois havia acabado de doar a uma ONG antes de começar o tratamento). Acho que ela viu escrito na minha testa.... estou desesperada! E eu respondi: Ainda não, estou fazendo os exames antes de começar todo o processo.
Então ela começou a me contar sua história: Minha filha, descobri o câncer de mama tem mais ou menos um ano. Foi muito difícil receber aquele resultado. Mas tenho família para sustentar, não posso parar agora. Minha filha conseguiu uma vaga para eu fazer o tratamento aqui no AC Camargo. Todo ano eles fazem uma campanha em prol da luta contra o câncer de mama e distribui vagas para quem não tem condição de pagar pelo tratamento. Logo comecei minhas sessões de quimioterapia. Ficava muito debilitada nos primeiros dias, quando melhorava ia trabalhar normalmente e fazia todas as tarefas domésticas. Não tive muita ajuda, meu filho é pequeno, minha filha trabalha o dia todo e a noite vai para faculdade. Meu marido.... sofreu um acidente. Um ônibus bateu nele no caminho para o trabalho e ficou em coma por 5 dias. Quando acordou descobriu que estava tetraplégico. Eu estava fazendo quimioterapia ainda e tinha que cuidar dele, da casa e do nosso filho pequeno. Era uma loucura eu achava que não ia dar conta, tinha dias que mal conseguia ficar de pé. Cinco meses depois, outro baque, meu marido acabou falecendo. Tive que "aguentar essa barra!" Administrar a dor que eu estava sentindo naquele momento, o sofrimento dos meus filhos, a falta de dinheiro e ainda ter ânimo que aguentar as sessões de quimio. Foi muito complicado minha filha, mas eu estou aqui, um ano depois de tudo isso. Agora faço a radioterapia. Me sinto feliz por estar viva e ter a oportunidade de dispor de um ótimo tratamento. O que eu posso te dizer com tudo isso: escolha viver, você é muito jovem tem muita coisa pela frente. Não deixe o câncer vencer essa batalha!
Em seguida ela se levantou e foi embora. E eu respirei fundo, fechei os olhos e orei agradecendo a Deus por tudo que tenho em minha vida. Essa história me deu muita força e sempre que estou triste lembro da Dona Isa.
Natália (Nome fictício)
Um belo dia eu estava na minha poltrona no IPC (Instituto Paulista de Cancerologia), recebendo a medicação (quimioterapia) chateada porque tinha levado mais de cinco furadinhas para acharem o acesso e preocupada pela possibilidade do medicamento extravasar das minhas veias enfraquecidas. Alguns minutos depois me entra pela porta uma jovem senhora aparentando os seu 40 anos. Toda maquiada, bem vestida e muito bem humorada. Parecia conhecer bem as enfermeira que trabalhavam ali. Sentou bem na minha frente e já foi me enchendo de perguntas. Olá minha querida! A quanto tempo está fazendo quimio e qual o seu câncer? Eu respondi todas as suas perguntas e loga ela começou a contar sobre sua vida.
Menina, a dez anos atrás fui diagnosticada com câncer de mama. Fiz todos os exames que meu médico pediu. E meu tratamento foi a retirada do nódulo e radioterapia. Não foi necessário fazer a quimioterapia. Terminadas todas as etapas, aproveitei para viajar com minha família e esquecer todo aquele pesadelo que havia vivido nos últimos meses. Passaram-se alguns anos, um dos exames de rotina detectou uma mancha no meu pulmão. No primeiro momento não fiquei muito preocupada jamais imaginei que seria o câncer voltando. Algumas semanas depois, veio o resultado: câncer de mama com metástase nos ossos e no pulmão. Para muitas pessoas receber um diagnostico desses é uma sentença de morte, fim da linha. Mas não para mim. Sempre fui uma pessoa alegre, de bem com a vida, pra cima. Não deixaria jamais um câncer mudar o que eu sou. Estou a QUATRO anos em tratamento. Recebo quimioterapia de 21 em 21 dias e terei que fazer isso para o resta da vida, a não ser que descubram a cura definitiva para o câncer. E sabe como me sinto? Viva! Não deixo de fazer nada, tenho uma vida absolutamente normal. Saio com minha família, viajo, faço compras, pago contas, nada mudou. A única diferença é que tenho que vir aqui tomar remédio. Essa semana é o casamento da minha filha. Saindo daqui vou comprar meu vestido, afinal tenho que está belíssima para a festa. Menina, um conselho lhe dou: não fique esperando acabar seu tratamento para voltar a sua rotina de antes. Faça tudo que tiver vontade. Não podemos deixar essa doença dominar nossas vidas. Seja feliz e agradeça a Deus por mais um dia.
Ufaaaa... é de perder o fôlego não é! Isso porque só falei de duas bravas guerreiras. Conheci tantas pessoas durante meu tratamento com histórias de vida incríveis. E de alguma forma elas me ajudaram a enfrentar essa caminhada que é cheia de espinhos, com mais sutileza e coragem.
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